Sob pressão do MP, presidente da Câmara de Lamarão reage e desafia adversários: "Não vão me destruir"

A presidente da Câmara Municipal de Lamarão, Valdemire Simões de Araújo, conhecida como Mire (MDB), usou a tribuna da Casa nesta terça-feira (11) para reagir à recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) que pede seu afastamento imediato e a anulação da eleição da Mesa Diretora para o biênio 2025/2026. Em tom combativo, a parlamentar disse está sendo vitima de "perseguição política" e ironizou os adversários.
"Não é mosquito da dengue que vai me derrubar, pois eu sou graúda", disparou a vereadora durante a sessão, sugerindo que os ataques têm o objetivo de desestabilizá-la. "Pode tirar a presidência de Câmara... Só não tira isso aqui, ó: a fé que eu tenho em Nossa Senhora, a fé que eu tenho na minha família e o respeito do povo", disse.
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Durante a mesma sessão, ela solicitou ao vereador Jailson de Oliveira Damasceno, o Jai de Zé Vermelho (PT), a leitura em plenário do edital de convocação para a eleição da Mesa Diretora para o próximo biênio 2027/2028. De acordo com o documento, a eleição está marcada para 6 de outubro de 2026, às 18h.
A medida foi vista nos bastidores como uma tentativa de demonstrar normalidade institucional, enquanto a atual gestão (2025/2026) balança na Justiça.
Mire afirmou que, se houver uma ordem judicial definitiva para anular o mandato atual, ela cumprirá sem resistência, mas com um recado claro aos bastidores: "Se a Justiça determinar que a vereadora Miri tem que fazer uma nova eleição, irei fazer com todo prazer (...) E aí sim vão conhecer um pouquinho da história de Lamarão, talvez aquilo que a prefeita não teve coragem de fazer e de falar".
Ao longo do discurso, Mire também criticou colegas que, segundo ela, estariam falando sobre sua atuação política de maneira inadequada. "Pode falar, pode ir para pessoal, pode ir para onde achar que deve falar da vereadora Miri. Só que eu fico triste de ver colegas em pessoal falando da vereadora (...) Se a gente for fazer um pente fino, [eles] tão numa situação pior do que a vereadora".
Entenda o caso – O Ministério Público da Bahia, por meio do promotor Alexandre Carvalho Feitosa Cavalcanti, recomendou o afastamento de Mire com base em um entendimento já pacificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A corte veda que presidentes de casas legislativas ocupem o cargo por três vezes consecutivas.
Mire comandou a Câmara nos biênios 2021/2022 e 2023/2024, e foi reconduzida em 2025. A ação popular que provocou o MP foi movida pelo advogado Hércules Oliveira, baseada na jurisprudência da ADI nº 6.674.







