Análise: Adriano faz história nas urnas, mas é Cyro quem sai maior da eleição em Serrinha
Por Cleriston Silva

A eleição de 2026 deixou um recado claro para a política de Serrinha: o grupo do prefeito Cyro Novais saiu muito maior do que entrou na disputa, enquanto a oposição descobriu que discurso de pré-campanha não necessariamente se transforma em voto.
O principal símbolo desse resultado é Adriano Lima (PSD). Ex-prefeito de Serrinha e padrinho político da atual gestão, ele alcançou uma marca inédita na história eleitoral do município: 19.325 votos para deputado federal, o equivalente a 41,37% dos votos válidos.
É um número que chama ainda mais atenção quando colocado em perspectiva. Adriano superou, com larga vantagem, os 8.724 votos obtidos por Rui Costa (PT) em Serrinha em 2010, até então uma das maiores votações individuais para deputado federal na cidade.
Mas o resultado de Adriano não pode ser analisado apenas como uma vitória pessoal.
Ele também funciona como um termômetro da força política do grupo que administra Serrinha.
Em 2024, Adriano conseguiu eleger Cyro Novais para a prefeitura com 21.100 votos. Menos de dois anos depois, o principal nome de Cyro para a Câmara dos Deputados recebeu apenas cerca de 1,7 mil votos a menos que a votação obtida pela chapa majoritária que venceu a eleição municipal. O dado sugere que a transferência de capital político de Adriano para Cyro não desapareceu com a mudança de comando da prefeitura. Pelo contrário: o grupo parece ter preservado musculatura eleitoral suficiente para produzir uma votação histórica fora de uma eleição municipal.
E há outro elemento importante: a aprovação de Cyro, segundo as pesquisas utilizadas para consumo interno do grupo, chega perto dos 90%. Se esse índice continuar assim até 2028, o prefeito poderá chegar à disputa por um eventual segundo mandato em uma posição politicamente bastante confortável.
Viviany tentou antecipar 2028 — mas 2026 devolveu a realidade
Do outro lado, o resultado de Viviany de Elizeu (Republicanos) produz uma leitura bem menos confortável.
A publicitária, que já havia disputado a Prefeitura de Serrinha em 2020 e 2024, parecia ter transformado a eleição de 2026 em uma espécie de prévia de 2028.
A estratégia fazia sentido politicamente: consolidar seu nome, testar a força eleitoral e se apresentar como principal alternativa ao grupo de Cyro Novais.
O problema é que as urnas responderam de maneira diferente.
Viviany terminou a eleição para deputada federal com 4.450 votos em Serrinha, cerca de quatro vezes menos que Adriano.
O resultado também precisa ser comparado com sua própria trajetória.
Em 2016, quando disputou uma vaga na Câmara Municipal, recebeu apenas 14 votos. Em 2020, como candidata a prefeita, chegou a 2.633 votos. Em 2022, disputando uma vaga de deputada federal, alcançou 3.646 votos em Serrinha. Já em 2024, voltou à disputa pela prefeitura e terminou em terceiro lugar, com 12.519 votos.
Portanto, a votação de 2026 não é pequena quando comparada a 2022. Mas também não confirma a expectativa de que Viviany estivesse se transformando na grande liderança eleitoral capaz de enfrentar o grupo governista em 2028.
Se 2026 servia como ensaio para a próxima eleição municipal, o ensaio trouxe uma informação importante: Viviany mostrou seu tamanho atual — e ele ainda está muito distante do tamanho eleitoral do grupo adversário.
A oposição também não conseguiu apresentar outro nome competitivo
O problema para a oposição é que Viviany não está sozinha nesse campo.
O ex-prefeito Ferreirinha e a vereadora Edylene Ferreira, ambos do Republicanos, também integram o bloco oposicionista. Juntos, porém, os dois ajudaram a produzir apenas 532 votos para João Bacelar (PL) na disputa para deputado federal.
O número é revelador.
Enquanto o grupo de Cyro e Adriano entregou 19.325 votos para seu candidato, parte importante da oposição, somada, não chegou sequer a 600 votos para o deputado que apoiava.
Não se trata apenas de uma diferença eleitoral. É uma diferença de capacidade de mobilização.
A oposição pode até construir uma narrativa para 2028, mas terá de responder a uma pergunta incômoda: quem, hoje, possui densidade eleitoral suficiente para enfrentar o grupo que controla a prefeitura?
A eleição de 2026 não apresentou essa resposta.
Adriano perde fora, mas ganha dentro de Serrinha
Existe ainda uma ironia no resultado.
Apesar da votação histórica em Serrinha, Adriano terminou com 55.916 votos em toda a Bahia e ficou na suplência do PSD.
Ou seja: não conseguiu uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas saiu da eleição maior politicamente dentro de Serrinha.
Seu desempenho municipal consolidou uma espécie de recorde particular e, ao mesmo tempo, fortaleceu o grupo político que atualmente controla a prefeitura.
Para Cyro Novais, portanto, a eleição de 2026 funciona como uma espécie de pesquisa eleitoral feita com voto de verdade.
E o resultado foi extremamente favorável.
O recado para 2028
Ainda é cedo para tratar 2028 como uma eleição definida. Dois anos, na política, são uma eternidade. Governo pode perder popularidade, alianças podem mudar, novos nomes podem surgir e crises podem alterar completamente o cenário.
Mas a fotografia de outubro de 2026 é bastante nítida.
Cyro Novais tem a máquina administrativa, aprovação elevada e um grupo político que acaba de demonstrar força eleitoral.
Adriano Lima mostrou que continua sendo um gigante eleitoral em Serrinha. E, ao alcançar 19.325 votos, estabeleceu uma marca que nenhum candidato a deputado federal havia alcançado na história do município.
A oposição, por sua vez, saiu da eleição precisando fazer contas.
Viviany, que parecia querer usar 2026 para anunciar antecipadamente a disputa de 2028, acabou oferecendo outro tipo de resposta: a eleição mostrou não apenas sua capacidade de crescimento, mas também o limite desse crescimento diante de um grupo governista que continua muito à frente.
No fim, talvez a maior notícia política de Serrinha em 2026 não seja a eleição de um deputado federal — porque Adriano sequer conseguiu a vaga.
É o fato de que, mesmo fora de uma eleição municipal, o grupo de Cyro Novais conseguiu produzir uma votação que a oposição não chegou nem perto de acompanhar.
Se 2028 começou a ser disputada nas urnas de 2026, o primeiro round terminou com uma vantagem expressiva para o grupo do prefeito.







