Prefeita de Conceição do Jacuípe é acusada de demitir servidora que declarou voto em Lula

A prefeita de Conceição do Jacuípe, no Portal do Sertão baiano, Tânia Yoshida (PSD), é acusada de pressionar funcionários comissionados da administração municipal a votar no senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. A gestora também teria demitido uma servidora após ela declarar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações foram divulgadas pelo site Bahia Notícias, que teve acesso a documentos relacionados ao caso.
Segundo o relato de uma ex-funcionária, que preferiu não se identificar, a situação começou durante as comemorações do aniversário da cidade. Na ocasião, vereadores de oposição questionaram atrasos no pagamento de salários de parlamentares do município. O episódio teve participação da vereadora Juliene Vieira (PV), que mencionou o ex-governador Rui Costa (PT), provocando uma discussão com integrantes do grupo político da prefeita.
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Após o desentendimento, Tânia teria convocado funcionários para conversas individuais e manifestado interesse em que eles votassem em Flávio Bolsonaro. Conforme o relato, a prefeita argumentava que a escolha seria a melhor para Conceição do Jacuípe e para seu grupo político.
Ainda de acordo com a ex-servidora, durante uma dessas conversas, ela declarou que apoiava Lula. A posição teria sido interpretada pela prefeita como uma afronta política, e a funcionária foi informada de que seria demitida. A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Município na segunda-feira (26), após o segundo turno da eleição, realizado no domingo (25).
A ex-funcionária também afirma que passou a ser exposta publicamente por radialistas da região, sendo retratada como traidora por não acompanhar a orientação política atribuída à prefeita.
Em um áudio que circula nas redes sociais, um radialista que atua no município faz referência a servidores que não teriam seguido a orientação eleitoral da gestora.
"Falaremos também dos Judas de Tânia, os funcionários que se recusaram a votar e ajudar a nossa prefeita e se aliaram à corja da vereadora Juliene Vieira", afirma o comunicador na gravação.
A pressão sobre trabalhadores para que votem em determinado candidato pode configurar assédio eleitoral. A legislação brasileira proíbe o uso de ameaças, constrangimentos ou outras formas de coação para interferir na liberdade de escolha do eleitor.






