Santo Estêvão: prefeitura gasta R$ 43 mil com combustível e manutenção de carro parado em garagem particular

Prefeito Tiago Gomes Dias
Um Volkswagen Gol, ano 2010, pertencente à Prefeitura de Santo Estêvão, a 106 km de Serrinha, tornou-se alvo de uma denúncia por possíveis irregularidades no uso de recursos públicos. O automóvel, avaliado em aproximadamente R$ 25 mil, teria consumido cerca de R$ 43 mil em despesas com combustível, manutenção e multas entre janeiro de 2025 e agosto de 2026.
O caso ganhou repercussão após o veículo ser fotografado estacionado na garagem de uma residência particular. As imagens, que mostram a placa do automóvel, foram anexadas a uma representação encaminhada ao Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) e ao Ministério Público da Bahia (MP-BA).
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A denúncia reúne 27 páginas de documentos extraídos do sistema do próprio TCM e aponta que a Prefeitura continuou pagando despesas relacionadas ao carro ao longo do período investigado, incluindo abastecimentos, lubrificantes e serviços de manutenção.
Um dos dados que chama a atenção é o consumo de combustível: foram registrados 3.632 litros de gasolina, com picos de 450 litros em um único mês. Segundo a representação, os números indicariam uma média superior a 200 quilômetros percorridos por dia útil.
Controle do veículo é questionado – A documentação também aponta uma série de inconsistências nos registros administrativos. Entre elas estão a ausência de identificação dos motoristas, repetição de números do hodômetro em datas diferentes e pagamentos de manutenção sem detalhamento das peças substituídas.

Automóvel foi localizado e fotografado guardado em garagem
Outro questionamento envolve o registro simultâneo do mesmo automóvel em duas secretarias municipais.
Multas pagas com dinheiro público – O histórico do veículo inclui ainda multas de trânsito quitadas com recursos municipais, sem indicação dos responsáveis pelas infrações. Entre as irregularidades registradas em uma mesma abordagem na BR-116 estão o transporte de crianças sem os dispositivos de segurança exigidos, motorista sem cinto de segurança e placa ilegível.
Em 2026, o automóvel também teria recebido uma multa gravíssima por excesso de velocidade superior a 50% do limite permitido em trecho urbano.
Denúncia pede explicações – Com a apresentação dos novos documentos, os órgãos de controle foram acionados para investigar a destinação do veículo e a legalidade das despesas. A representação pede que a Prefeitura identifique formalmente quem está com a posse do Gol, desde quando e sob qual justificativa.
Também solicita esclarecimentos sobre a utilização de uma garagem particular para guardar o patrimônio público, além da apresentação de documentos de responsabilidade e diários de bordo com registros de quilometragem, saídas e retornos.
Os denunciantes ainda pedem que os novos elementos sejam incorporados à apuração de possível desvio de finalidade e que, caso sejam comprovados gastos indevidos, os valores sejam devolvidos aos cofres públicos. As acusações ainda dependem de análise dos órgãos fiscalizadores. A eventual responsabilização dos envolvidos deverá ocorrer após a apuração dos fatos e a garantia do direito de defesa.







